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A Notícia parecia demasiado aguda para ser verdade, parecia um daqueles excessos de realidade que só podem ser ficção, o delírio de uma realidade paralela feita em cima do joelho. Mas é mesmo verdade. Todos nós já sabíamos que milhões de chineses e indianos têm o hábito repelente de seguir o seguinte mote misógino: “aborta se for menina”. É uma espécie de genocídio de género ainda antes do nascimento. Por aquelas bandas, há cerca de 120 rapazes por 100 raparigas devido ao aborto massivo de bebés do género feminino. Ora, o que nós não sabíamos é que este fenómeno macabro está a ganhar força no Reino Unido, junto das comunidades de imigrantes. E, se isto acontece no Reino Unido, provavelmente também acontecerá noutros países europeus com comunidades chinesas ou indianas. É um problema europeu.

Quando abortam só porque vão ter uma bebé e não um bebé, estas pessoas estão a cometer um crime. Não há outra maneira de pôr as coisas. Isto é usar o aborto para fazer uma espécie de eugenia machista. Matar aos três ou quatro meses um ser humano só porque não tem pilinha é crime, deve ser crime, tem de ser crime, um crime eugenista e misógino. Mas qual tem sido a reacção das feministas perante este evidente ataque à condição feminina? Bom, a reacção das auto-intituladas rainhas do feminismo tem sido quase tão repelente como o fenómeno em si. Estas mulheres diabolizam os concursos de beleza, a pornografia, a “mercantilização da imagem da mulher”, a cirurgia plástica, mas não abrem a boca para criticar a maior barbaridade que as mulheres sofrem neste momento. Porquê? Porque o “direito ao aborto”, dizem, é superior a tudo.

No Guardian, a vanguarda feminista afirmou que “não interessa saber o motivo pelo qual uma mulher quer pôr termo à sua gravidez. Se é para escolher o sexo, isso é a sua escolha”. Eis o fanatismo no seu melhor. Além da intrínseca desumanidade deste raciocínio eugenista, convém reparar na contradição absurda destas feministas: se permitimos que uma mulher aborte só porque não quer ter uma menina, o aborto passa a ser o maior instrumento do machismo mais abjecto, aquele que nem sequer deixa que uma bebé venha ao mundo só porque é uma bebé e não um pilinhas.

Fonte: Expresso

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Aborta se for menina (ou o aborto como machismo)
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