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Educação
Pais têm de perceber que família não é democracia PDF Imprimir e-mail
20-Jul-2009

Diário de Notícias :: 2009.07.20

A psicoterapeuta Asha Phillips alerta no livro 'Um Bom Pai Diz Não', da editora Lua de Papel, que se pode estar a criar uma geração de tiranos que não sabem reagir bem a contrariedades.
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"Dizer não é um presente que se dá aos filhos." É esta a teoria da psicoterapeuta infantilAsha Phillips, que confrontada no seu trabalho com a dificuldade de alguns pais em impor limites, resolveu escrever um livro sobre o tema. "A ideia surgiu porque tinha muita dificuldade em dizer não às minhas filhas. Depois, no meu trabalho no hospital, com famílias com problemas, percebi que uma das principais dificuldades era impor limites. E, quando procurei livros para me ajudar, não encontrei nada. Então, pus mãos à obra", conta a psicoterapeuta.
A passagem de uma sociedade em que as crianças não tinham direitos para uma em que estão no centro das preocupações dos adultos levou a excessos, defende a especialista. Excessos que estão a contribuir para criar uma geração de "pequenos tiranos" que não sabem reagir a contrariedades. Daí, a importância de estar "preparado para ser pouco popular", diz.

Mais informações e compra do livro em:
http://www.infamilia.org/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=570&Itemid=30)



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E se o Ronaldo não jogasse futebol? PDF Imprimir e-mail
19-Jan-2009
A "escola inclusiva" criou assimetrias sociais tremendas e converteu os filhos dos pobres em bodes expiatórios. educacao001_42-20055861.jpg
Claro que não havia gala. Nem festas. Nem fogo-de-artifício. Não só não era o melhor do mundo como, à partida, todos os dias, professores e padres, políticos e sociólogos, juízes e jornalistas, usariam e abusariam de um conjunto de estereótipos que não só explicavam o seu falhanço como muito provavelmente o condenavam à partida a ser um falhado. Ou mesmo um delinquente.
O pai alcoólico, a violência doméstica, os baixos rendimentos da família e a separação dos pais seriam explicações mais que suficientes para que nada se esperasse dele na escola. Nem sequer bom comportamento! Curiosamente, tudo aquilo que explicaria o seu insucesso na escola torna-se um argumento para o reforço do seu carácter e da sua performance quando se fala de futebol. Os artigos sobre a sua infância e adolescência tornaram-se, graças a uns jornalistas em transe místico-futebolístico, numa espécie de conto do Dickens adaptado aos tempos modernos: o pai tinha problemas com o álcool e um outro parente com a droga? Eis então o jovem Ronaldo a abominar esses vícios. A família deixou-o vir sozinho para Lisboa? Eis uma opção a louvar porque de cada vez que ligava para casa, a chorar com saudades, e não o deixavam desistir, aprendia que há que fazer escolhas. Os colegas gozavam com o seu sotaque madeirense? Havia que trabalhar para ser melhor do que eles. E assim sucessivamente até chegar ao triunfo.
Desconheço a real importância destes episódios na vida de Cristiano Ronaldo, mas, a bem da verdade, diga-se que dificilmente uma escola poderia impor aos seus alunos o mesmo rigor que os treinadores impõem aos candidatos a jogadores profissionais, pois logo se vaticinariam mil traumas às crianças em causa. O reverso de a escola não esperar grande coisa destes alunos é que lhes exige pouco e não lhes impõe nada.
Não sei se a memória da pobreza fez ou faz Cristiano Ronaldo chutar melhor, mas tenho a certeza que caso Cristiano Ronaldo tivesse ficado pela escola não só ninguém teria pensado que ele poderia vir a ser o melhor do mundo no que quer que fosse como, e isso é que é grave, nem se esperaria que fosse sequer profissionalmente competente.
 


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