O Apoio à Maternidade no Parlamento Europeu: Portugal marcou a sua presença na defesa da Vida e In Familia integra a Comitiva Portuguesa
No passado dia 15 de outubro, o Parlamento Europeu foi palco de um dos mais expressivos encontros pró-vida da última década, reunindo mais de 300 participantes de 17 países europeus para refletir sobre o apoio real às mulheres em situação de gravidez difícil e sobre o valor da maternidade no contexto europeu. A conferência, promovida pela Federação Europeia One of Us e pelo Centro Europeu para o Direito e a Justiça (ECLJ), decorreu no hemiciclo do Parlamento e marcou o lançamento de um novo apelo europeu à proteção da maternidade, exigindo um “Apoio Real” para as mulheres: a liberdade da mulher e da maternidade só pode ser real se, ao enfrentar uma gravidez difícil, elas receberem apoio e ajuda reais da família e da sociedade, e não abandono.

O evento foi acolhido pelos eurodeputados Peter Agius (Malta), Paolo Inselvini (Itália) e Laurence Trochu (França), e contou com a presença de oito parlamentares de diferentes países, entre os quais Miriam Lexmann (Eslováquia), Bert-Jan Ruissen (Países Baixos) e o antigo primeiro-ministro da Eslovénia Alojz Peterle.
A sessão de abertura foi conduzida por Tonio Borg, antigo comissário europeu da Saúde e atual presidente da One of Us, que sublinhou: “Apoiar as mães em dificuldade não é apenas um dever moral — é a forma europeia de defender a dignidade e a liberdade.”
Testemunhos
Durante o encontro, várias mulheres de Portugal, Espanha, França, Itália, Eslovénia e Países Baixos partilharam testemunhos pessoais sobre experiências de aborto e gravidezes desafiantes.
Charlene, de França, descreveu o trauma de um aborto imposto sob pressão: “Fiz um aborto porque ninguém me ouviu. Deixaram-me sozinha na minha angústia.” “Na clínica IPPF, falavam da ‘minha escolha’, mas nunca me ouviram. Disse que não, mas pressionaram-me na mesma. Na Europa, uma mulher que diz ‘não quero abortar’ tem de ser protegida.”
Leire, de Espanha, apontou a desigualdade nos apoios públicos: ““Em Espanha gasta-se doze vezes mais em aborto do que em ajuda às grávidas. O direito de escolher também deve significar o direito de não abortar.”
De Itália, Soemia Sibillo, diretora do Centro de Maternidade Mangiagalli, lembrou que “mais de 285 mil crianças nasceram em cinquenta anos graças aos centros de apoio à gravidez”, que “nenhuma mulher jamais se arrependeu de ter escolhido a vida”, e apelou a que “a solidariedade se transforme numa política europeia”.
Originária da Eslovênia, Klara disse que “Mulheres grávidas não devem ser julgadas, mas sim ouvidas e ajudadas.”
Vinda da Holanda, veio a mensagem de que a “maternidade não é um fardo individual, mas uma responsabilidade compartilhada por toda a Europa”: “Levei um tempo para entender que estava completamente sozinha. Sangue, medo, pânico, dúvidas… e nenhuma ajuda.”

Vozes da UE
“A Europa foi construída sobre a convicção de que a dignidade humana vem em primeiro lugar”, disse Tonio Borg, presidente da Federação Europeia One of Us. “Se realmente acreditamos na igualdade, então apoiar mães em dificuldade não é opcional — é a maneira europeia de proteger a liberdade e a justiça para todos.”
Miriam Lexman, eurodeputada, afirmou: “Defender a vida não é extremismo, é humanidade.”
Paolo Inselvini, eurodeputado e coanfitrião do evento, sublinhou que a proteção da maternidade é um ato de realismo, não de ideologia: “Estas histórias lembram-nos que a solidariedade começa antes do nascimento. O modelo social da Europa deve defender todas as mães e todas as crianças como parte de uma só família humana.”
Peter Agius, eurodeputado e também coanfitrião, acrescentou: “Uma sociedade que não apoia a maternidade enfraquece os seus próprios alicerces. Uma escolha real significa dar às mulheres ajuda real, não slogans vazios.”
Bert-Jan Ruissen, eurodeputado, afirmou: “Como membros do Parlamento Europeu, defender a vida humana frágil é nosso dever moral.”

Declaração de Compromisso pelo Apoio à Maternidade
No encerramento, os participantes assinaram a Declaração de Compromisso pelo Apoio à Maternidade, que instiga a União Europeia a promover políticas de proteção da maternidade e da família, em conformidade com os artigos 3.º e 33.º da Carta dos Direitos Fundamentais da UE. O documento defende o reforço dos apoios legais e sociais às mulheres grávidas, a igualdade no acesso à ajuda em todos os Estados-Membros e a promoção de políticas que “respeitem e protejam a vida humana desde a conceção”.
A Federação Portuguesa pela Vida teve uma participação ativa neste encontro, levando a Bruxelas uma delegação de 18 representantes de várias associações nacionais, incluindo a In Familia. Segundo a organização, o evento representou “um momento de união, reflexão e ação”, reforçando a importância da maternidade como pilar essencial da sociedade.
Entre as intervenções portuguesas destacou-se o workshop dinamizado por Carolina e Mafalda, da associação Vida Há Vida (CAV do Montijo), que apresentaram boas práticas no apoio à maternidade. E Mafalda referiu que “A Europa não pode punir quem tem filhos. Se uma mulher quer levar a gravidez a termo, deve poder fazê-lo com dignidade.”
Também o testemunho de uma mãe acompanhada pelo Ponto de Apoio à Vida comoveu os presentes, ao evidenciar o impacto transformador de um acompanhamento humano e próximo.
A presidente da Federação Portuguesa Pela Vida destacou que estas participações demonstram “a qualidade, o profissionalismo e a dedicação” do trabalho desenvolvido em Portugal na promoção da vida e no apoio às mães.
O encontro coincidiu com o debate parlamentar sobre a Iniciativa de Cidadania Europeia “My Voice My Choice”, que defende a inclusão do aborto como direito europeu. Em contraponto, os organizadores da Conferência alertaram para as consequências humanas e psicológicas do aborto, lembrando que, segundo dados do instituto IFOP (2020), 92% das mulheres afirmam que o aborto “deixa marcas dolorosas”.
Os representantes da One of Us e do ECLJ defenderam que a União Europeia deve redirecionar os fundos públicos para programas que fortaleçam a maternidade e a família, em vez de financiar práticas que fragilizam a vida. “Queremos que o dinheiro dos europeus sirva para apoiar as famílias — esse é o investimento mais benéfico para o futuro da Europa”, concluiu Tonio Borg.
Com esta conferência, o Parlamento Europeu ouviu vozes de todo o continente a apelar a uma Europa mais humana e solidária — uma Europa que não abandona as suas mães, mas que as apoia, protege e valoriza como fundamento da própria vida.

A In Familia foi representada por 3 jovens que integram o grupo “Jovens Pela Vida” da In Familia, e nos deixaram o seu testemunho:
– “Todo o percurso envolvendo este evento foi rico tanto a nível de desenvolvimento pessoal, como de expansão de conhecimento cultural, mas destaco em particular o trabalho de todos os envolvidos, que me fez perceber que de facto existe quem queira fazer de tudo para valorizar a vida neste mundo.” (Miguel)
– “Para mim, esta experiência foi muito enriquecedora a vários níveis e também, de certa forma, uma chamada de atenção para aquilo que está a acontecer em toda a europa. Foi importante para me fazer ver que todos podemos ter um papel importante na mudança e que o tema da vida e da família não é apenas um assunto dos políticos, dos eurodeputados que estão em Bruxelas, mas sim de cada um de nós que está no seu país e que tem um papel a desempenhar.” (Madalena)
– “A viagem a Bruxelas, em nome da In Familia, foi muito enriquecedora e especial. Ir ao Parlamento Europeu defender esta causa tão nobre que é a vida e ouvir pessoas tão experientes neste campo e na defesa da vida foi sem dúvida inesquecível!” (Tomás)
Viva a Vida!!!!
É possível assistir à Conferência em: oneofus.eu/real-choice-means-real-support/
