No passado dia 29 de março de 2025, milhares de pessoas saíram à rua, por todo o país, na 13ª Caminhada Pela Vida! Este ano, aderiram 12 cidades e capitais de distrito, o que demonstra a força portuguesa a favor da Vida: Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Faro, Funchal, Guarda, Lamego, Lisboa, Porto, Santarém e Viseu, numa só Caminhada Pela Vida!
Em Braga, o ponto de encontro foi na Praça da República, onde se fez uma autêntica FESTA À VIDA!




A organização esteve a cargo da In Familia que, em defesa da Vida desde a conceção até à morte natural, convidou a marcar presença a população em geral e algumas associações para darem testemunho do que diariamente fazem em prol da defesa da Vida! Foi o caso do Centro de Acolhimento “O Poverello”, o Instituto Monsenhor Airosa, a Associação Famílias e a APPACDM, a quem agradecemos profundamente!



Na Praça da República havia, este ano, duas novidades que contagiaram alegria a todos: um “Espaço Kids” e a elaboração de um “Mural” para recolher mensagens entre os presentes a fim de enviar aos Senhores Deputados da Assembleia da República. Foi uma iniciativa e esteve a cargo dos “Jovens Pela Vida”, um grupo de juventude que se identifica inteiramente com a Defesa da Vida e está associado à In Familia. Várias pessoas deixaram as suas mensagens pro vida no “Mural” e inúmeras crianças pintaram desenhos alusivos à Vida, à Família e ao valor do Cuidado aos mais frágeis. Às crianças também foram distribuídos balões onde foram escrevendo mensagens alusivas ao valor sublime da vida!






Com a organização desta Caminhada, a In Familia declara de forma inequívoca, a sua firme convicção de que a vida humana é o valor dos valores, a respeitar e defender sempre, desde o primeiro momento até ao último sopro de vida! Toda a vida concebida, merece ser vivida!
Foi com esta convicção que um mar de gente percorreu as ruas de Braga soltando VIVAS À VIDA!!!































A cerca de metade do percurso, após a viragem da Rua dos Biscaínhos, simbolicamente, em frente ao Arco da Porta Nova, apresentava-se uma lona com a seguinte inscrição “Eu faço parte dos 20%…”, e com a imagem de uma jovem portadora de síndrome de Down.
Com esta lona a In Familia pretendia suscitar uma expetativa nos transeuntes quanto ao tema da defesa da Vida, independentemente de qualquer condição ou circunstância, que iria abordar de seguida.













O percurso da Caminhada terminou na Praça da República onde se reuniram todos os participantes.


A In família tinha expostas duas lonas: a mesma lona que estava no Arco da Porta Nova e uma outra com o título “Sabias que cerca de 80% dos bebés em Portugal, com diagnóstico pré-natal com síndrome de Down, são abortadas?!” Desta segunda lona constavam dois testemunhos.





Depois da leitura das lonas referidas, pelo nosso speaker Fernando Fernandes, ouviu-se um áudio com o testemunho do Luís Silva, pai de família, cuja história estava respigada na lona. Foi assim…

Sou o Luís Silva, casado com a Cláudia e temos o João José e a Maria Marta, nossos filhos, com 18 e 11 anos. Durante a gravidez, por volta da 23ª semana, os dois tiveram prognóstico de trissomia 21 com base em indicadores cardiológicos. Tinham os dois cardiopatias que tiveram de ser posteriormente resolvidas, mas, por causa dessa indicação, e também de alguma possibilidade associada a questões de saúde da própria mãe, o nosso médico cardiologista disse-nos claramente: “Os vossos meninos podem ter trissomia 21. A probabilidade é meio por meio, 50% – 50%”.
Vivemos com muita intensidade esta notícia, esta informação, e percebemos, desde a primeira hora, que estes meninos eram nossos filhos. Tínhamos o nosso coração cheio com a expectativa de os acolher, de os receber, de os ver e sabíamos que, como nossos filhos, eram amados como sempre tinham sido amados desde o primeiro momento em que soubemos que eles existiam.
Sabemos, porém, que muitos sentem a pressão, que nós próprios também sentimos de alguma forma, para que crianças sobre as quais recai este diagnóstico, esta possibilidade de serem portadoras de malformações, de deficiência, de particular fragilidade, muitas vezes a pressão é enorme e fica-se nesta solidão, abandonando-se à morte, à solidão e à perda crianças que tinham o direito a nascer.
É por isso que a Caminhada pela Vida é tão importante: para que todos, todos, verdadeiramente todos, sejam amados desde a primeira hora em que existem, sejam acolhidos no coração dos seus pais e possam, por isso, nascer. É por eles que esta Caminhada pela Vida se realiza e é por todos os que, em qualquer etapa da sua vida em que estão particularmente frágeis, a Caminhada pela Vida se deve realizar.
Pela Vida, por todos, por cada um de nós, pelo amor que nos deve acompanhar a todos como humanos. Boa caminhada!

De seguida, fomos surpreendidos pelo nosso speaker Fernando Fernandes que tomou a palavra e disse:
“Vou correr o risco de vos contar uma pequena história, muito breve.
Ana, com 40 anos, ficou grávida. Mas uma gravidez previamente preparada e previamente pensada por ambos os cônjuges. Não foi um acidente, nem coisa que o valha. Na primeira consulta com o médico de família, o médico de família deu a indicação que era melhor a Ana fazer um aborto. O marido aproximou-se e, na sua defesa pela vida, disse: “Não, vamos até ao fim!” Numa segunda observação, uma outra médica do Serviço Nacional de Saúde, também deu a mesma indicação… que o melhor era fazer um aborto. Mas a fé e a esperança fez-nos levar a gravidez até ao fim. Hoje, o Lucas tem 13 anos e é um rapaz saudável! É meu filho!”
Após esta surpresa que fez emocionar os presentes, tomou a palavra a Presidente da In Familia que proferiu as seguintes palavras em representação da Direção:

Caríssimos amigos,
Dizemos na 1ª lona “Faço parte dos 20%”! Isto porque, em Portugal, 80% dos bébés com diagnóstico pré-natal de Síndrome de Down são abortados! Não merecerão viver por serem portadores dessa deficiência? Ou de qualquer outra? E os diagnósticos que falham? Sim, porque todos assentam em probabilidades! Acabamos de ouvir o testemunho do Luis Silva (e do nosso amigo Fernando, sem contar… Obrigada Fernando!) e todos conhecemos outros, que só conhecemos porque os pais tiveram a coragem e o amor de acolher os seus filhos incondicionalmente!…
Do último Relatório da DGS sobre o aborto em Portugal, relativo a 2023, tiramos conclusões assustadoras:
– fizeram-se 17124 abortos, que correspondem a 47 abortos por dia, sendo que 96,7% foram por livre opção da mulher e 2,85% por doença ou malformação do nascituro;
– por cada 5 nascimentos, houve um aborto;
– 28,5% foram abortos de repetição;
– desde a legalização do aborto livre até à 10 semanas, em 2007, a sua prática triplicou e realizaram-se, até final de 2023, 272 773 abortos por “opção da mulher” e sabemos bem que, em muitos casos, não é uma opção “livre”!
O aborto é, de longe, a maior causa de morte a nível mundial: só neste 1º trimestre de 2025 já se praticaram quase 11 milhões de abortos, e, por comparação, morreram cerca de 3 milhões de pessoas por doenças transmissíveis, e 2 milhões por cancro, por exemplo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Todos reclamam por melhores sistemas de saúde para curar a doença e prevenir a morte, exceto por aborto? Porquê?
Mas, afinal, todas as vidas são dignas? Ou não? Porventura, não terá algum bébé dignidade para nascer? Ou um idoso ou doente dignidade para viver? E quem decide acerca dessa dignidade? E com base em quê?
Nós dizemos que A DIGNIDADE DA VIDA HUMANA É INFINITA!
Vai além de todas as circunstâncias, das aparências exteriores, das caraterísticas concretas da vida das pessoas, do seu contexto cultural, social ou moral, do momento da sua existência, e de qualquer deficiência física ou psicológica.
Esta é uma verdade universal que é condição para se reconhecer uma sociedade como justa, pacífica, sadia e humana.
A dignidade humana funda-se no próprio ser, como pessoa. O seu valor é inalienável. Cada ser humano tem um valor único! E, por esse motivo, deve ser reconhecido e tratado com respeito e amor! Qualquer um! E essa realidade é espezinhada quando não se respeitam valores como a liberdade, a integridade física ou psíquica, ou os direitos humanos, como o primordial direito à Vida. Quando se trata dos mais simples, frágeis ou indefesos, é ainda mais gritante!
Há dias, foi noticiado que o Tribunal Constitucional está na fase de redação final do Acórdão da Declaração de Constitucionalidade ou não da Lei da Eutanásia e do Suicídio Assistido, sendo que se prepara para viabilizá-la. Esta é a resposta a um conjunto de deputados do PSD que alegaram a “afronta à inviolabilidade da Vida humana” e à Sra Provedora de Justiça que alegava que para “haver vontade livre e esclarecida é necessário que o Estado garanta outras opções”, como é o caso de uma rede de cuidados paliativos que hoje só responde a 30% das necessidades dos doentes. Alertamos para o Voto Pela Vida, no próximo dia 18 de maio!
Por tudo quanto foi referido, relevamos a necessidade de demonstrar o quanto é importante a Defesa da Vida Humana, desde a conceção até à morte natural! Por isso, hoje, temos Portugal unido nesta Caminhada Pela Vida que é a maior manifestação pública a nível mundial, uma vez que se realiza anualmente em dezenas de cidades e países pelo mundo fora, só para dizer que a VIDA É UM BEM! Que devemos cuidar dos mais frágeis! Que queremos uma sociedade solidária e justa, civilizada! Que não mata… que ama!
Dessa sociedade que pretendemos solidária, melhor poderão falar as associações aqui presentes que diariamente trabalham e se dedicam àqueles que mais precisam! Bem hajam!
De seguida, houve um momento musical protagonizado pela Aurora Miranda.

Trouxe uma canção da Luisa Vidal, que fala sobre tudo aquilo que, nesta vida, tendemos a desvalorizar por não conhecermos a sua potência, por só conhecermos aquilo que conseguimos ver no imediato. Fala sobre lagartas que se transformam em borboletas e sobre notas de dinheiro que não é por estarem amarrotadas que perdem o seu valor.
Somos de aparências
e ensinados a ser
alegres todo o tempo
e tristeza ninguém quer.
Não sabemos lidar
com a fragilidade
Escolhemos pensos rápidos
a encarar a verdade.
Compramos felicidade
Não refletimos na voz
Mas a nota amarrotada
Tem o mesmo valor.
Não temos de estar sempre bem
E está errado quem
Pensa que a larva vira borboleta num bater de asas.
Há um processo a respeitar
Não o ousemos nós romper
No casulo a transformar
O outro que se há-de erguer.
Quanto maior a queda
Maior é o triunfo
Dar a volta à tristeza
Transformá-la num trunfo.
Não temos de estar sempre bem;
E está errado quem
Pensa que a larva vira borboleta num bater de asas.
Depois deste momento inspirador, seguiram-se dois testemunhos de quem diariamente trabalha em favor da Vida, das famílias e do cuidado dos mais frágeis e desprotegidos.
Tomou a palavra a Dra. Ana Medeiros, Psicóloga Clínica, que colabora com a APPACDM de Braga desde agosto de 2022, quer como psicóloga, quer como Diretora Técnica do Complexo de Lomar, desde outubro de 2024.


“Boa tarde e obrigada mais uma vez pelo convite. De facto, enquanto diretora técnica de um dos complexos da APPACDM de Braga, nós lidamos todos os dias com imensos desafios diários. Há dias, de facto, muito fulcrais na vida destas pessoas, mas percebemos que eles nos conseguem dar muito mais do que aquilo que, às vezes, nós conseguimos fazer por eles.
E é importante perceber que, no dia-a-dia, nós conseguimos olhar para as nossas vidas sob um outro olhar e perceber que estas pessoas são pessoas como nós e têm o direito à vida tal como nós. É importante perceber que, com o amor e com os cuidados devidos, é possível os familiares perceberem que têm um presente, mas acima de tudo têm a possibilidade de ter um futuro. Obrigada!”
De seguida, tomou a palavra a Dra. Maria Assunção Oliveira, Diretora Técnica do Lar Residencial e da ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) do Instituto Monsenhor Airosa.


“Boa tarde! Muito obrigada pelo convite para estarmos cá presentes. Como foi referido, as nossas utentes não são pessoas deficientes, são pessoas com uma perturbação do desenvolvimento intelectual e são pessoas cheias de amor, muito mais amor que muitas pessoas ditas normais.
Trabalhar com este público-alvo é um grande desafio, mas ao mesmo tempo… muito, muito gratificante! É trabalhar onde se cria de imediato uma relação de empatia e de amor! As nossas utentes
são vida e estão cheias de vida! Portanto, todos os dias, quando vou trabalhar, não sei o que me espera… mas o seu sorriso, o querer participar em tudo, a entreajuda, o coração cheio de amor… É isto o que digo: Obrigada!
Com a emoção destes testemunhos, seguiu-se uma dinâmica levada a cabo pelos Jovens Pela Vida da In Familia: a proclamação de um poema ao som da música!
Envolveu também a presença de vários grupos de pessoas que simbolizavam diversas faixas etárias da vida humana e uma família: idosos, pessoas com deficiência, grávidas, uma família, crianças, jovens…
Que o teu sol brilhe sempre e o teu céu seja sempre azul.
Que a tua vida seja sempre contraponto ao clamor do mundo.
Que tu te delicies em dançar levemente com a vida.
Que tu sempre cantes a melodia na sinfonia da tua vida.
Que tu possas provar, cheirar e tocar os teus sonhos de um lindo amanhã.
Que tu voes com asas de águia bem acima da loucura do mundo.
A cada nascer do sol, começamos outra vez…















Por fim, a In Familia proferiu os devidos agradecimentos.
Boa tarde, Povo da Vida!
Em representação da In Familia,
Agradecemos a todos por se juntarem a esta Caminhada Nacional pela Vida!
Agradecemos à Câmara Municipal de Braga, à União de freguesias de Maximinos, Sé e Cividade, e às forças policiais que nos acompanharam no processo de preparação e execução da Caminhada!
Agradecemos à Arquidiocese de Braga, ao Senhor Arcebispo D. José Cordeiro, ao departamento de comunicação da Arquidiocese e a todos os sacerdotes que se envolveram nesta Caminhada por todo o apoio, divulgação e união à causa que hoje e sempre nos une!
Agradecemos ao Centro de Acolhimento “O Poverello”, à Associação Famílias, ao Instituto Monsenhor Airosa e à APPACDM que hoje participam na Caminhada Pela Vida, mas diariamente, estão no terreno no verdadeiro apoio ao mais frágeis, na promoção da dignidade da Vida Humana! Bem hajam!
Agradecemos ao Júlio, Chefe do Núcleo de Braga do CNE (Corpo Nacional de Escutas), à Ana João, e aos Escuteiros de Celeirós e Lomar que, desde a primeira hora, e com sentido de missão e serviço aceitaram o nosso desafio e estiveram hoje presentes tornando a Caminhada muito mais organizada e bela!
Agradecemos em particular aos que vieram de mais longe: Barcelos, Esposende, Amares, Vila Verde, Famalicão, Fafe, Guimarães…
Agradecemos ao nosso Speaker, nosso grande amigo Fernando Fernandes!
Agradecemos à Aurora Miranda, que ajudou a embelezar a Caminhada com o seu canto!
Agradecemos aos nossos fotógrafos (Nuno Gomes, da Ómega Vídeo e outros), que nos eternizam a memória deste dia!
Agradecemos ao Diário do Minho, à Gráfica Código de Barras, à Associação de Motociclistas Cristãos, aos Bombos! Agradecemos ao Sr. José e aos amigos das concertinas!
Agradecemos a todos os que produziram os materiais de divulgação da Caminhada e deram a cara pela Causa da Vida!
Agradecemos aos Associados da In Familia que são o corpo da massa associativa que nos mobiliza pelos valores que defendemos!
Agradecemos em especial à Comissão Organizadora, aos voluntários e, em relevo aos nossos Jovens Pela Vida, e a todos os que, no silêncio, tornaram possível esta fantástica Caminhada em que vimos celebrar a grandeza da Vida!
Agora, marcamos encontro para 2026, na próxima Caminhada Pela Vida!
Até lá, convidamo-vos a todos, em cada dia e no lugar em que se encontrem, a promoverem a Dignidade da Vida Humana em quaisquer circunstâncias, desde a sua conceção até à morte natural, a promoverem a Dignidade da Família como lugar insubstituível onde o pai e mãe constituem uma comunidade de vida e amor aberta à vida, a promoverem a Dignidade de uma sociedade humanista onde a pessoa humana é o seu fim último!
Promovamos uma Cultura da Vida! Que é generosa, que acolhe, que é alegre, que cura e não se rende! Promovamos uma Civilização do Amor! Façamos da nossa vida um hino à Vida!
Já dizia Luther King: “Preocupante não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons!”.
Como diz um grande amigo, em jeito de encorajamento, termino, como sempre:
Se não nós, então quem? Se não agora, então quando?
Viva a Vida!







Encerramos com o nosso associado Luís Gomes que, com uma dança e uma música especialmente escolhida para a ocasião, fez explodir a Praça da República de alegria!



