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Os últimos meses foram de alguma forma desconcertantes para todos nós. As rotinas diárias que tínhamos instalado em torno da nossa comodidade, sentiram-se abaladas e reagiram, primeiro, pela recusa (“…o quê, Covid 19 na Europa? Nem pensar!”), depois pela surpresa e, finalmente, pela constatação de vermos as nossas certezas a ruir como um castelo de cartas. Percebemos então a fragilidade da nossa condição humana e o louco frenesim do trânsito, dos escritórios e dos “open spaces”, rapidamente deu lugar a um confinamento na meia dúzia de metros quadrados dos apartamentos em que (sobre)vivemos. De facto, as ruas ficaram vazias e as habitações conheceram uma taxa de ocupação em tempo e em espaço, como jamais poderíamos imaginar.

Um gigantesco manto de silêncio interrogativo invadiu as nossas vidas e a imagem do Papa em 27 de março, sozinho e sob uma chuva impiedosa, no enorme espaço da Praça de S. Pedro, “esmagou-nos” de várias formas, sejamos crentes ou não. De súbito, vimo-nos fracos e indefesos. Mais, a nossa incredulidade perante o que víamos e ouvíamos foi elevada ao absurdo, quando nos foi proibido o abraço reconfortante do familiar ou amigo e o beijo de carinho ou amor, fosse a quem fosse.

Passaram vários meses, mas continuamos aturdidos com a surpresa: o confinamento por um lado e o sofrimento de tantas famílias por outro, exigiram-nos um novo olhar sobre o sentido da vida e o estabelecimento de prioridades incontornáveis para o nosso quotidiano. Muitas são as vozes a repetir que nada será como antes da pandemia…

Sim, percebemos que a nossa vida não se pode limitar a ser uma réplica do que já era, mas tem de mudar de paradigma e, para tal, precisamos de compromisso e de ação, em nome do que verdadeiramente importa, já que a pandemia nos levou a distinguir o essencial do acessório. Em consequência, somos convidados a transformar a crise pandémica numa oportunidade de afirmação dos princípios que defendemos!

Este é o nosso “Kayros”, é o momento privilegiado para o compromisso e a ação, no âmbito das prioridades incontornáveis: a Vida e a Família!

A prioridade das prioridades é a Vida porque, como muito bem refere Tolentino de Mendonça, a vida é um valor sem variações, é válida porque é uma vida humana, não precisando de mais nenhuma justificação! Como tal, o nosso maior compromisso consiste na defesa inabalável de um novo pacto comunitário que não deixe para trás ou esquecidos os mais velhos e vulneráveis (…). O pacto comunitário que defende Tolentino, seria um pacto intergeracional, como garante da compaixão, da fraternidade e da defesa do valor da vida. Sabemos que uma grande parte da população concorda com este princípio e, como tal, consideraríamos uma inaceitável falta de respeito pelos valores democráticos, se as 95 287 assinaturas que depositamos na chamada “Casa da Democracia”, não fossem tomadas em consideração, na exigência de uma consulta popular sobre a eutanásia.

Este é o primeiro capítulo do nosso compromisso e a esfera da nossa ação para os próximos tempos!

O segundo refere-se à Família.

O confinamento desvelou situações de fragilidade em algumas famílias, mas também trouxe à evidência o melhor: a Família pode não ser (e não é) um lugar perfeito, mas é um lugar fundamental, uma âncora que nos faz sentir seguros e amados pelo que somos, tal como somos, com a total transparência das nossas fraquezas pintada pelas cores do carinho, da alegria e da simplicidade. Isto só se sente e vive na família e foi bem claro nestes meses difíceis. Todos os que puderam, foi lá que procuraram refúgio, porque ela é sempre o melhor porto de abrigo, particularmente nas tempestades da vida.

Também neste âmbito, o Cardeal madeirense nos diz que o que dá a força à família não é ela ser blindada mas, ao mesmo tempo que é atravessada pela realidade da vida, na força dos laços afetivos, na força de uma confiança inquebrável, ela é uma amarra decisiva para a construção da nossa humanidade! Além disso, é nessa amarra que confiadamente encontramos sempre a força e o ânimo que nos levarão a vencer esta crise. Tal amarra tem um nome: Amor! Amor que une, que ajuda, que conforta e que está sempre “lá”, em todos os momentos e para sempre!

A Família não é uma invenção cultural, nem tão pouco um formato que a civilização emprestou à vida comum. Compete-lhe um papel e, com isso, também uma dignidade que é anterior à própria cultura — porque ela emerge como raiz da existência. Resume-se desta forma o princípio basilar que orienta muita da ação da In Familia e, tal como a Vida, a Família também é um valor sem variações!

A causa da Família é antes de tudo uma causa humana, completamente transversal, porque a Família não é uma ideologia, a Família é uma experiência vital e uma experiência de todos.

Mesmo em tempo da crise do Covid 19, a Família continua a ser a realidade base do equilíbrio da sociedade e o principal foco da estabilidade e da esperança. Nenhuma crise consegue ofuscar a beleza de tantas famílias que, vivendo suportadas no amor autêntico e realista, sabem construir comunidades de vida e de amor e assim ser felizes (mesmo com as dificuldades)! Talvez seja esta mensagem de esperança que vale a pena irradiar à nossa volta e não perdermos tempo ou energias em batalhas inglórias.

Vida e Família. Duas realidades muito fustigadas pela crise pandémica que nos tem assolado, mas também os baluartes que se revelaram essenciais nestes últimos meses. Todos vimos como o valor da Vida mobilizou e continua a mobilizar até ao heroísmo, tantas pessoas na sua defesa, as nações e até a economia. De igual modo, esta pandemia sublinhou o papel essencial da Família na nossa existência e somos levados a concluir que não conhecemos valores mais altos.

Por isso, é este o momento de sermos mais “prudentemente arrojados”, de sabermos definir estratégias inteligentes nas nossas iniciativas e, mesmo que as circunstâncias pareçam desfavoráveis, vamos acreditar e trabalhar, com mais convicção do que nunca para defender a Vida e a Família!

A todos um abraço

A Direção da In Família

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Vida, Família e Covid-19: uma breve reflexão